quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Confusões infantis

Um dia, lá pros idos dos anos 90, eu pus a mão no peito e me senti angustiada.Meu Deus, será verdade? Sou tão jovem! Me perguntei se não estaria enganada, mas a professora disse que se acontecesse isso eu seria dada como morta! Peguei no peito de novo. Pus a mão no coração. Oh, não, algo está muito errado! Andei pela casa toda. Estava só. Como saíram enquanto eu dormia? Mamãe me abandonou? E justo numa hora dessas? Eu estou morrendo!

Ela chegou, finalmente. Papai também. Como será que ela vai reagir com a notícia?
Contei pro papai e ele riu. Disse: "Que bom!" Bah, esse meu pai não leva nada sério, vou contar pra mamãe. Mas ela também disse Que bom! Mas o que é isso? Uma conspiração? Eu estou aqui morrendo e ninguém se importa? Tenho tantos amiguinhos na escola, o parquinho, a natação... Eu não quero ir. Mas mamãe e papai não estão nem aí pra mim. Ninguém vai mais sentir minha falta quando não estiver mais aqui!

Comecei a chorar. Gritava e perguntava porque não me levavam no hospital, porque estavam sendo tão maus?? Então meu pai se abaixou e disse:
- Filha, quando o coração bate é bom. Sinal de que você está bem. Você está confundindo. A tia disse pra você que quando o coração pára é porque a pessoa está morta, não o contrário! Não tenho que te levar ao hospital porque seu coração está batendo. Você ainda vai viver muito tempo!

Um comentário:

  1. "Bate bate bate coração, dentro deste velho peito!" risos... Bater é bom amiga! Só não é bom quando batem na gente! hauhauauha...

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