Toda essa história do til me fez lembrar do meu primeiro dia de aula, do 2º grau.
Desci do carro e pus a caminhar em direção ao portão de entrada, compenetrada, imaginando quem das minhas amigas estaria na mesma turma que eu. De repente, um loiro, alto, lindo me chamou a atenção. E notei que também chamei a atenção dele. Seus olhos azuis vieram de encontro aos meus - simples - olhos castanhos claros: conheço esse cara... "ADRIANA!!" Esse menino gritou tão alto, que eu só podia ter mesmo voltado todo o meu passado, até a terceira série, quando tinha apenas nove anos de idade.
Veio à minha mente a imagem de um garoto gordinho, metido, baixinho, com brinquinho na orelha e cheio de anéis na maioria dos dedos. Mal falava comigo, só enchia o saco... Um dia, fui tirar uma dúvida com a 'tia' e me apoiei na mesa dela, de costas pra turma. Esse gordim chegou e sussurou no meu ouvido: "Eu estou querendo copiar a matéria do quadro, sai da frente, guria" Eu olhei pra ele com uma cara de desdém, mandei ele ir se catar. Ele voltou e falou: "Vou contar até dez. Sai daí senão vou abaixar suas calças aqui mesmo!" Dei um 'pedala robinho' nele. Eita goroto enxerido! Duvido que ele faça uma coisa dessas em uma mulher, não é doido!
Putz, que vergonha! O imbecil abaixou mesmo minhas calças!! Ah, agora você vai ver, seu gordo! Fi duma égua! Ainda deu tempo de meter um chute na bunda dele antes da professora ver... Fala sério, ainda bem que ninguém viu minha bunda!
Hehehe! Agora aquele garoto estava ali, bem na minha frente, me fazendo pagar vexa de novo. 5 anos depois de eu ter olhado pra cara dele pela última vez e eu só estava feliz de ver um rosto novo e ao mesmo tempo familiar! "Andou malhando, hein? Seu gordinho!" Hoje ele é como um irmão pra mim...
Ah, nada como perdoar o nosso passado...
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Til
Acho que crianças tem duas opções: Ser inteligente e observadora, quieta e paciente, ou querer parecer inteligente mas dar a certeza para todos à sua volta de que é tristemente burra e precipitada.
Já tive esses dois momentos em diferentes fases da minha infância...
Lembro-me estranhamente do dia escolar mais feliz da minha infância: quando aprendi o nomes dos acentos, como e onde colocá-los nas palavras, na aula de português. Eu via aquilo tudo com tamanho interesse! Minha irmã havia me ensinado antes a usá-los e isso me dava uma vantagem absurda e gostosa sobre meus colegas. Aquilo realmente me divertia. Tanto quanto como depois nas aulas de báskara e de lógica na faculdade. Heheheh, coisas de nerd...
A professora falava: "Todo mundo falando: tiiiil" e a turma se perguntava: "Tio? Mas tio não é o irmão do papai?" Não, til é com t-i-l, til. É aquela minhoquinha que a gente põe em cima do 'a' e do 'o' para dar um som anasalado, como ã e õ (nessa hora a 'tia' fechava o nariz comicamente)!
Eis que de repente, um moleque me olha com um olhar pentelho, aperta os olhinhos e sorri malicioso pra mim. Eeepa, o que esse imbecil pensa que vai fazer? Olha pra mim, olha pra professora, olha pra mesa da professora. Pegou uma caneta. Me preparei para levantar. Ele balbucia, sussurra: "Adriana precisa de til, acho q tá faltando til na chamada!" e levanta em retirada atrás da chamada na mesa da professora. Levantei e dei um empurrão nele, levei uma canetada na cara, puxei seus cabelos e me vi despenteada. "Meu nome não tem til, seu imbecil!" (nossa até rimou!) Era como se eu estivesse defendendo a honra da minha família naquele momento, aquele garoto não ia se atrever a colocar um til sequer no meu nome na chamada! Entre gritos nossos e risadas da turma toda, a professora se vira e dá de cara com a cena: nós dois atracados no chão, brigando por causa de um acento! Ela finalmente fez a briga cessar e explica pro chatonildo que nem tudo precisa de til e o garoto senta na sua cadeira atencioso, com a sua carinha de anjinho de que só agora está entendendo a lição do dia.
"Garotos, bah!" Virei pro lado, com a sensação de dever cumprido...
Já tive esses dois momentos em diferentes fases da minha infância...
Lembro-me estranhamente do dia escolar mais feliz da minha infância: quando aprendi o nomes dos acentos, como e onde colocá-los nas palavras, na aula de português. Eu via aquilo tudo com tamanho interesse! Minha irmã havia me ensinado antes a usá-los e isso me dava uma vantagem absurda e gostosa sobre meus colegas. Aquilo realmente me divertia. Tanto quanto como depois nas aulas de báskara e de lógica na faculdade. Heheheh, coisas de nerd...
A professora falava: "Todo mundo falando: tiiiil" e a turma se perguntava: "Tio? Mas tio não é o irmão do papai?" Não, til é com t-i-l, til. É aquela minhoquinha que a gente põe em cima do 'a' e do 'o' para dar um som anasalado, como ã e õ (nessa hora a 'tia' fechava o nariz comicamente)!
Eis que de repente, um moleque me olha com um olhar pentelho, aperta os olhinhos e sorri malicioso pra mim. Eeepa, o que esse imbecil pensa que vai fazer? Olha pra mim, olha pra professora, olha pra mesa da professora. Pegou uma caneta. Me preparei para levantar. Ele balbucia, sussurra: "Adriana precisa de til, acho q tá faltando til na chamada!" e levanta em retirada atrás da chamada na mesa da professora. Levantei e dei um empurrão nele, levei uma canetada na cara, puxei seus cabelos e me vi despenteada. "Meu nome não tem til, seu imbecil!" (nossa até rimou!) Era como se eu estivesse defendendo a honra da minha família naquele momento, aquele garoto não ia se atrever a colocar um til sequer no meu nome na chamada! Entre gritos nossos e risadas da turma toda, a professora se vira e dá de cara com a cena: nós dois atracados no chão, brigando por causa de um acento! Ela finalmente fez a briga cessar e explica pro chatonildo que nem tudo precisa de til e o garoto senta na sua cadeira atencioso, com a sua carinha de anjinho de que só agora está entendendo a lição do dia.
"Garotos, bah!" Virei pro lado, com a sensação de dever cumprido...
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