terça-feira, 2 de setembro de 2008

Qual era o nome mesmo?

Um dia, na loja, apareceu um cara. Olhou direto pra mim e começou a falar, sem nem piscar um só instante. Falava que tinha acabado de voltar da Bahia por conta de uma luta de jiu jitsu, mas que precisava de dinheiro pra viajar pra São Paulo, pois se ganhasse a disputa de lá ele conseguiria patrocínio de uma academia famosa... Tinha um olhar desesperado, meio de pidão, meio de pena, mas cativante. Eu sorri pra ele e disse que não tinha nada, mas na mesma hora desisti e peguei 5 reais da minha bolsa e dei pra ele. Ele sorriu, agradeceu e foi embora. Logo, logo me esqueci daquele dia.

Passando-se talvez um mês, minha mãe me perguntou se eu conhecia um moço alto e musculoso que foi na loja ontem. "Não... como ele era mesmo?" E assim, depois minha irmã perguntou a mesma coisa uns dois dias depois e até meu pai. Aí um dia eu fui pra loja e recebi a tal visita daquele moço. Dizia que vinha me procurar quase sempre, mas eu nunca estava lá. Me disse que tinha ganho o primeiro lugar em São Paulo e conseguiu o patrocínio. Me mostrei feliz por ele e fiquei me perguntando quanto mais de dinheiro ele ia me pedir dessa vez. Ele puxou uma caneta do bolso e disse que tinha guardado pra mim de lembrança da competição, por eu ter ajudado ele. Foi embora e eu perguntei pro meu pai quantas canetas ele deve ter saído distribuindo pra todo mundo que o ajudou... Simplesmente meu pai começou a cantarolar, dizendo que eu tinha um admirador!

Vê se pode! Até os funcionários da loja ficaram me perguntando se ele era meu amigo, algo mais etc e tal...
Eu perguntava pra todo mundo o que eu fazia pra demonstrar pra ele que eu não tava a fim, mas todo mundo começar a cantarolar: "Lálálá, a Adriana tem um admirador, hihih..." Ele foi mais umas cinco vezes e eu não achava uma maneira de dispensá-lo sem ser grossa. Meu pai dizia que eu tinha que ser grossa e pronto, mas eu não sei ser assim. O cara me chamou pra ter aula à noite com ele, dizia que era professor e conseguia 50% de desconto na mensalidade da academia, perguntou o que eu ia fazer no dia seguinte e etc, etc, etc... O que fazer?? Eu não podia simplesmente dizer que tinha namorado porque pra todos os efeitos o cara não tinha dado em cima de mim nenhuma vez, só estava conversando!

Aí veio uma alma caridosa: um cliente entrou na loja enquanto eu conversava com ele e me perguntou qualquer coisa. Eu atendi o cliente e voltei pra continuar com a conversa. Reparei que ele estava de olho fixo na minha mão. Pela primeira vez ele viu a aliança... A aliança! Como não pensei nisso antes? Aí veio o pior (alguém tem um buraco aí pra eu enfiar minha cabeça?):
- Peraí, você tem namorado?
- Ué... Tenho, porquê?
- Poxa... Eu cheguei atrasado então?
- Hum? Como assim...?
- Eu penso em você todo dia, dou aula pensando no momento que eu vou vir aqui ver você... Tô apaixonadão, pensei que poderia ter dado certo...
- Ah, não... me desculpe, eu sou apaixonada pelo meu namorado! Tem quase dois anos de namoro e espero que venham muitos outros mais!
- Foi mal então. Não te incomodo mais...

Ele saiu meio de costas, com o olhar no chão, sem saber onde enfiar as mãos...

Um comentário:

  1. To precisando de um admirador assim! kkkkkkkkkk... Beijos amiga!

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