Queria contar sobre meu primeiro dia do primeiro trabalho. É, por incrível que pareça, comecei a trabalhar mesmo em novembro do ano passado. Acordei 6h30 da manhã, já entendiada de ficar deitada (isso não é nada normal no meu caso!). Esperei por um ônibus mesmo pra testar o horário que eu deveria fazer todos os dias. Entrei no ônibus, assustada, cheia de livros nos braços, lembrando das aulas à noite, uma mochilona nas costas e uma bolsinha a tira-colo. Sentei-me na cadeira da frente, pra que a cobradora pudesse me avisar quando descer. Não tinha a mínima idéia! Então, o motorista deu uma super guinada pra esquerda, fazendo uma curva. Não tive apoio. As mãos cheias de coisas, assim como o colo, a falta de um banco na minha frente e a falta de atenção contribuíram para uma única coisa: eu sofrer a inércia e me estatelar no chão! Eu olhei pros lados rapidamente, procurando uma forma de se segurar, mas meu nariz estava prestes a 'beijar' - se é que nariz beija - o banco do vizinho da direita. Não sabia se fechava os olhos ou se os abria mais, só conseguia pensar na dor que eu sentiria depois daquilo tudo, mas então notei uma coisa: eu estava imóvel. O tempo parou? Como eu parei numa posição totalmente contra as leis da física? Senti uma dor no braço. Uma mão trêmula o agarrava forte e gentilmente. Me puxou de volta ao meu banco e agradeci, pensando no tamanho do reflexo ultra-rápido que esse homem teve. Caramba, por isso ele ainda tremia. Eu ainda tremia.
Ultimamente não tenho tido os melhores dos meus dias. No sábado antes do carnaval morreu uma pessoa querida. Não falava muito com ele, mas já gostava bastante dele. Ele praticava marcha atlética e sofria de leucemia. Tinha acabado de entrar no curso de educação física e ganhado um patrocínio para competir fora do país. Treinava todos os dias no parque da cidade e vocês devem ter ouvido falar de um rapaz que morreu na piscina da cobertura do prédio dos seus tios no sudoeste. Fui no enterro. Minhas primas choravam aos prantos a sua morte e a imprensa não dava a mínima pra isso. A imprensa... Às vezes irrita tanta vontade de noticiar as coisas, principalmente desgraças. Rafael superou a leucemia, venceu milhares de competições e morreu de apnéia. Apnéia?! Pois é, acreditem quando a mamãe disser pra não prender a respiração debaixo d'água tentando ver quanto tempo aguenta. Bem que minha prima citou: Deus viu a alma boa que ele era e tratou de levá-lo pra pertinho de si.
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