É muito estranho observar as coisas de fora, não interagir com o que está à minha volta, não participar, não opinar...
Comecei essa semana a frequentar a academia e notei logo de cara que quase ninguém se conhece, ninguém faz questão de se conhecer. Cada um entra, faz seu alongamento e parte para os aparelhos. Alguns com pressa, outros bem devagar, pensativos... De vez em quando, só o que se vê das pessoas interagindo é pra perguntar se já terminou de usar o aparelho porque está esperando na fila. O melhor momento é observar de cima da esteira: é um lugar alto e pode-se ver toda área da musculação. Alguns fazendo caretas, outros limpando o suor, alguns bem malhados, outros muitos bem fracotes... A verdade é que de manhã são poucos os que tem menos de 50 anos de idade.
Já no RPG, a coisa é diferente. Tenho uma fisioterapeuta só pra mim, me torturando durante longuíssimos 60 minutos... Mas não tão diferente assim, também preciso observar, e muito, mas dessa vez a mim mesma. Notar como a fisioterapeuta me faz me sentir um monstro diante do espelho! Estica de lá, estica daqui e descobri que um tendão no meu joelho esquerdo pode me trazer uma dor terrível! Ainda bem que é só uma vez por semana!
O legal mesmo é entrar dentro de um ônibus no meio da tarde, sem pressa, sem compromisso. Bom, não tão legal, exatamente, quando se passa pela rodoviária e dá pra ver alguém revirando o lixo... É uma cena chocante, realmente. Mas é legal olhar as pessoas saindo da faculdade ou do trabalho, vindo do hospital ou simplesmente das compras. É engraçado tentar imaginar como são suas vidas, o que fazem, com quem se parecem!
Mas, na verdade, eu quis fazer uma analogia. Quando estou de fora, sinto como se não pudesse nem ao menos controlar o presente, como se eu estivesse em outro plano, tivesse apenas que observar sem atrapalhar... Como quando alguém lá fora tenta gritar pro ônibus parar, mas nem o motorista e nem o cobrador escutam ou vêem, só eu. Eu podia pedir pra parar, mas é tudo tão rápido e eu nem ao menos movi um dedo sequer... Ou como quando alguém dá uma informação errada a outra pessoa e eu não posso meter o bedelho pra tentar ajudar...
Não quero só assistir à vida. Quero fazer parte dela!
Sei exatamente como é essa sentimento de não pertencimento, d estar alheio a tudo (propositalmente ou não)...
ResponderExcluiré estranho, pode até ser meio ruim, mas faz bem observar, tentar entender, aprender.... o negócio é não fikr só na observação, não é?E como é difícil sair dessa condição pseudo-cômoda!
Também qro fzer parte! Onde eu assino?
Adorei o post, Adriana!
=*