terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O Guia

Me disseram que o vovô comprou a chácara no ano que nasci...
Nem me lembro com que idade comecei a andar a cavalo e nem quando ordenhei uma vaca pela primeira vez (e última, péssima experiência hehe)
Desde que nasci que vou no riachinho ver os redemoinhos e costumava ir contemplar a cachoeirinha antes de ela secar. Atravessava o rio com minha vó morrendo de medo de cobra só pra ir pegar um queijo fresquinho na chácara ao lado! Humm... E o leite! Sem essa de água oxigenada! Já passei horas com meu pai tentando pescar um lambari filhotinho no rio... E que emoção! Já vi minhas amigas morrerem de medo do gado da chácara (e eu rindo), já fiz guerrinha de argila de verdade com meus primos, já vi meus pais e tios se juntarem pra contar um monte de mentira só pra convencer 10 ou 15 crianças a não passarem a noite numa carroça velha com uma lona rasgada no meio do mato (olha que já tava tudo pronto! Lençol, travesseiro, água, comida... aiai...) , já quase atropelei o carro da minha mãe dirigindo um bugue e eu tinha só 12 anos... Já dancei quadrilha, me vesti de menino, já comi canjica e pamonha em Junho, festa junina melhor que aquelas não há! Já brinquei de casinha na construção da casa na chácara... (quanta poeira afff), já fiz guerrinha de frutinha de eucalipto (como dói) quando cortaram a árvore, linda, tinhas uns 30 metros de altura!

Mas a minha intenção não era contar a minha infância na chácara. Estava lendo um livro e me lembrei de lá. A tradição do meu pai toda vez que íamos pra lá era acordar no domingo bem cedo e explorar a floresta, uma espécie de caminhada mais emocionante. Sempre foi muito bom entrar lá, mas nunca tinha ido sem meu pai. Certo dia quis dormir até mais tarde, mas me arrependi e fui me arrumar correndo pra ver se ainda pegava meu pai e minhas irmãs no meio do caminho. Saímos eu e minha irmã mais nova, Andressa, no encalço deles, correndo. Quando dei por mim, já estava dentro da mata, indefesa... Pensei nas aranhas que teriam ali e se eu perceberia se estivesse vindo uma cobra... Escutava barulho de sapos e outros bichos e já não sabia onde estava a trilha. Eu e minha irmã nos apoiamos uma na outra, rezamos e tivemos que nos virar pra sair de lá 'com vida.' Felizmente meu pai apareceu naquela hora.

O medo, a insegurança e o desespero que senti naquela hora é o que a maioria das pessoas passa o tempo todo na vida. Vivemos numa selva cheia de perigos e estamos tentando sair dela sozinhos, inexperientes? No meu exemplo pude perceber que mesmo num ambiente em que me sinto confortável em qualquer outra situação, naquela senti medo. Porquê? Pq estava sem meu guia, a pessoa na qual depositei minha total confiança. Porquê viver sem seu guia? Porquê ser uma pessoa insegura, medrosa e desesperançosa?

Recomendo: "Aliviando a bagagem"-Max Lucado

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